Pesquisa sobre a Tarifa Zero em Mariana
Esta seção apresenta os resultados da pesquisa intitulada:
“Tarifa Zero como Ferramenta de Política Pública: Impactos Sociais, Econômicos e Ambientais na Mobilidade de Usuários em Mariana-MG”
Neste estudo, foi investigado como a implementação da Tarifa Zero (modelo terceirizado – quando a prefeitura contrata uma empresa para prestar os serviços de transporte) no município de Mariana-MG transformou a vida dos seus cidadãos. A pesquisa, que abrangeu as dimensões do Tripé da Sustentabilidade (social, econômica e ambiental), oferece uma visão detalhada sobre o perfil dos usuários, os determinantes de sua satisfação e o papel da gratuidade como instrumento de justiça social e inclusão.
O objetivo da pesquisa foi entender de perto como a Tarifa Zero (ônibus gratuito) está mudando a vida das pessoas em Mariana. Buscou-se saber:
1- Quem está usando? (Perfil social e econômico)
2- Quais foram os principais ganhos? (Social, econômico e ambiental)
Como o Sistema Funciona em Mariana?
Existem duas formas principais de oferecer o transporte gratuito:
Modelo Próprio: A prefeitura compra ou aluga os ônibus, contrata os motoristas e cuida de toda a operação.
Modelo Terceirizado: A prefeitura contrata uma empresa privada para fazer o serviço e paga a ela por quilômetro rodado.
Mariana adota o modelo Terceirizado. A pesquisa foca em como essa forma de gestão afeta o dia a dia e os resultados sociais.
Para garantir que os resultados utilizou-se a seguinte metodologia:
Onde: A pesquisa foi realizada em Mariana-MG, cidade com cerca de 64 mil habitantes (IBGE, 2022).
Número de entrevistados: Entrevistou-se 385 pessoas que estavam usando o transporte coletivo. Este número foi escolhido para ter precisão estatística (95% de confiança, erro de 5%).
Quando: As entrevistas aconteceram entre os dias 6 e 8 de agosto de 2025.
Onde foi a pesquisa: O local escolhido foi o Terminal Turístico de Mariana, um ponto estratégico onde passam todas as linhas da cidade e dos distritos.
O Que Perguntou-se aos Usuários?
O questionário foi dividido em duas partes:
1- Perfil do Usuário: Perguntas sobre quem estava viajando (gênero, idade, raça, renda familiar, número de pessoas na casa e escolaridade).
2- Mobilidade e Opinião: Perguntas sobre a linha mais usada, como a pessoa se deslocava antes da Tarifa Zero (por exemplo, se usava carro ou pagava passagem) e qual era a opinião geral sobre a política de gratuidade.
Com esses dados, buscou-se analisar os impactos da Tarifa Zero, olhando para os pilares Econômico, Social e Ambiental.
O MUNICÍPIO DE MARIANA-MG
Contexto histórico
Conforme dados históricos da Prefeitura Municipal de Mariana (2025a), a cidade se destaca por seu papel pioneiro, sendo a primeira capital, a primeira vila e a primeira cidade a ser planejada em Minas Gerais. Sua história, que tem como cenário a descoberta do ouro e um período de grande religiosidade e expressão artística, guarda vestígios do Brasil Colônia.
O surgimento de Mariana remonta a 16 de julho de 1696, com a fundação do arraial de Nossa Senhora do Carmo, que rapidamente se consolidou como um ponto estratégico no fornecimento de ouro para Portugal. Em 1711, o arraial foi elevado à categoria de vila, recebendo o nome de Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo.
O reconhecimento formal e a elevação de seu status prosseguiram com a intervenção da Coroa Portuguesa. Em 1745, por determinação de Dom João V, a vila foi elevada à categoria de cidade, sendo rebatizada como Mariana em homenagem à rainha Maria Ana d’Áustria. Neste mesmo período, a cidade consolidou seu papel religioso ao se tornar sede do primeiro bispado de Minas Gerais. A transformação urbana da cidade, evidenciada por um projeto urbanístico elaborado pelo engenheiro militar português José Fernandes Pinto de Alpoim, resulta em um traçado pioneiro de ruas em linha reta e praças retangulares, fazendo de Mariana a primeira cidade planejada de Minas e uma das precursoras do país.
Em 1945, a significativa contribuição de Mariana para a história do país foi oficialmente reconhecida, com a concessão do título de Monumento Nacional pelo presidente Getúlio Vargas, em virtude de seu “significativo patrimônio histórico, religioso e cultural” e sua participação ativa na vida cívica e política nacional. Atualmente, a economia de Mariana é impulsionada principalmente pela extração de minério de ferro, uma atividade que sustenta a principal fonte de emprego e receita do município. Somando-se a isso, seus distritos mantêm atividades agropecuárias e uma importante produção artesanal.
Desse modo, a cidade permanece como um epicentro de riquezas históricas e culturais do período colonial, fundamental para a compreensão da gênese e desenvolvimento de Minas Gerais.
Fonte: Prefeitura Municipal de Mariana, 2025.
Perfil Demográfico do Município de Mariana
Mariana, a primeira capital de Minas Gerais, é uma cidade com uma história rica e uma organização única, fatores que tornam a Tarifa Zero ainda mais essencial.
População: Cerca de 61.387 habitantes (dados de 2022).
Ocupação do Território: A população está espalhada por uma área grande, com uma densidade média de 51 habitantes por quilômetro quadrado.
Riqueza por Habitante (PIB per capita): A riqueza gerada por pessoa na cidade atingiu R$ 119.155,40 em 2022.
Orçamento Municipal: No mesmo ano, o orçamento da Prefeitura foi de cerca de R$ 883,7 milhões.
Organização Geográfica:
A história da cidade, ligada à corrida do ouro, criou diversos povoados que se tornaram distritos. Isso significa que a população de Mariana não está concentrada apenas no centro.
Distritos: A cidade principal se conecta a nove distritos.
A Necessidade do Transporte: A distância entre o centro e alguns distritos é significativa, o que realça a importância de um transporte público que conecte a todos, sem custo.

Essa distribuição geográfica, com grandes distâncias entre as comunidades, mostra o impacto direto da Tarifa Zero para garantir que todos os moradores tenham acesso igualitário ao trabalho, saúde e educação, lazer, etc.
Tarifa Zero em Mariana
A Tarifa Zero (ônibus gratuito) começou em Mariana em fevereiro de 2022 como uma solução de um problema antigo: o transporte público estava caro, com poucos ônibus e não chegava a todos os lugares.
O Problema do Transporte Público em Mariana
Mariana é uma cidade grande em extensão, maior que mais de 15 capitais brasileiras!
População Espalhada: Quase metade dos 61 mil habitantes de Mariana vivem nos distritos, longe do centro.
Antes da Tarifa Zero: As empresas de ônibus alegavam que “não havia passageiros suficientes” para atender esses distritos. Na verdade, a passagem era cara, e muita gente simplesmente não tinha como pagar para se locomover. Isso criava uma demanda reprimida, ou seja, pessoas que precisavam, mas não usavam o ônibus por causa do preço.
Assim que a Tarifa Zero acabou com a cobrança da passagem, a demanda reprimida se revelou:

O número de viagens praticamente triplicou em poucos meses. Isso provou que o problema não era falta de gente, mas o preço da passagem.
Como a Tarifa Zero é Paga?
O ônibus é gratuito para o passageiro, mas o serviço tem um custo que é pago pela Prefeitura.
Custeio: O programa é mantido com recursos do orçamento municipal, que é superavitário em grande parte devido aos aportes relacionados à atividade de mineração.
O Valor: O custo mensal para manter todas as rotas da cidade e dos distritos começou em R$ 862 mil. Com o aumento de passageiros e rotas, esse valor foi ajustado. Na renovação do contrato em 2023, o custo mensal foi fixado em cerca de R$ 1,8 milhão.
O que o Vale-Transporte Virou: A economia gerada por não pagar o vale-transporte dos próprios funcionários públicos da Prefeitura ajudou a cobrir cerca de 12,76% do custo total do Tarifa Zero.
A Operação: O serviço é realizado pela empresa Transcotta, que ganhou a concessão para operar as linhas. Mas a gestão pertence à Prefeitura de Mariana. Isso significa que é a Prefeitura que define rotas, horários e é a responsável pelo serviço de ouvidoria (o canal para suas reclamações e sugestões).
RESULTADOS E DISCUSSÃO DA PESQUISA
O sistema de Tarifa Zero está em pleno funcionamento em Mariana e os números mostram que a cidade está em movimento.
Linhas Atendidas: Atualmente, a Tarifa Zero opera com 6 linhas dentro da cidade e 15 linhas que conectam aos distritos.
Viagens Mensais: O sistema gera cerca de 700 mil viagens (deslocamentos) por mês.
População em Movimento: Esse volume atende não apenas aos 61 mil moradores de Mariana, mas também a uma população flutuante (pessoas que trabalham ou estudam na cidade) estimada em 30 mil pessoas, totalizando cerca de 90 mil pessoas circulando.
O Custo do Sistema
Custo Mensal: O valor para manter todo o sistema (cobrindo salários, manutenção dos ônibus e tecnologia) é de aproximadamente R$ 1,6 milhão por mês.
Impacto no Orçamento: Esse valor representa cerca de 2,6% do orçamento total da Prefeitura de Mariana.
Quem Gerencia o Sistema?
Operação: O serviço é realizado pela empresa Transcotta, que ganhou a concessão para operar as linhas. Mas a gestão pertence à Prefeitura de Mariana. Isso significa que é a Prefeitura que define rotas, horários e é a responsável pelo serviço de ouvidoria (o canal para suas reclamações e sugestões).
Análise socioeconômico dos entrevistados
A pesquisa foi feita no Terminal Turístico com os usuários de ônibus e revelou um perfil social e econômico, mostrando que a Tarifa Zero é uma política que beneficia quem mais precisa.
1. Maioria Absoluta: Mulheres e Pessoas Pretas
O perfil dos usuários é majoritariamente feminino e não-branco
Gênero: 65,8% dos entrevistados são mulheres, contra 34,2% de homens.
Por que isso importa? Esse número reflete a realidade das mulheres na sociedade, que muitas vezes têm menos acesso ao mercado de trabalho e são mais responsáveis pelas tarefas domésticas e de cuidado (como levar filhos à escola ou ir ao mercado). O ônibus gratuito é essencial para elas.
Raça: 75,4% dos entrevistados se declararam pardos ou pretos.
O que isso nos diz? A pesquisa confirma que a Tarifa Zero é uma ferramenta importante para a igualdade racial e de gênero. No Brasil, a desigualdade é mais forte quando se junta raça e gênero. Ao beneficiar mulheres pretas e pardas, o programa ajuda a diminuir essa disparidade.
2. A Renda: Quase Todos São de Baixa Renda
Ao olhar para a situação financeira dos usuários, a vulnerabilidade é ainda mais evidente:
Renda Muito Baixa:
40,3% das famílias vivem com até 1 salário mínimo.
29,7% das famílias vivem com até 2 salários mínimos.
7 em cada 10 Usuários são de Baixa Renda: Somando as duas faixas, 70% dos entrevistados pertencem à classe de renda familiar mais baixa (conhecida como Classe E).
Conclusão da Renda: Este dado reforça que o transporte gratuito é uma questão de necessidade e de sobrevivência. Para a maioria das famílias de Mariana que usa o ônibus, o dinheiro economizado com a passagem agora é usado para comprar alimentos, pagar contas ou outras despesas essenciais.
Gênero e Renda: Por Que a Tarifa Zero é Essencial para as Mulheres
A pesquisa detalhou a relação entre quem usa o ônibus gratuito e sua condição financeira, revelando que a Tarifa Zero em Mariana é uma política fundamental no combate à desigualdade de gênero.
1. As Mulheres Dominam as Faixas de Menor Renda
Ao cruzar os dados de gênero com a renda familiar dos usuários, encontra-se uma grande diferença:
Até 1 Salário Mínimo: O número de mulheres que vivem com até um salário mínimo é quase o dobro do número de homens.
Até 3 Salários Mínimos: Essa tendência se repete nas faixas de renda seguintes. As mulheres estão sempre em maior número nos patamares salariais mais baixos.
O que isso significa? Este resultado confirma a chamada “feminização da pobreza”. Historicamente, as mulheres recebem salários menores e têm menos oportunidades no mercado de trabalho, tornando-se mais dependentes do transporte público gratuito para acessar a cidade.
2. Mulheres Enfrentam Maior Vulnerabilidade em Casa
Analisou-se também o número de pessoas que moram na casa em relação à renda, e o quadro é o seguinte:
As mulheres que vivem em domicílios com 2 ou 3 pessoas se concentram nas faixas de renda mais baixa.
Embora os homens também enfrentem dificuldades, a pesquisa mostra que o impacto da baixa renda é mais intenso e vulnerável para as mulheres, que precisam sustentar a casa com menos recursos.
3. Fator Raça: A Desigualdade em Doses Maiores
É importante lembrar o resultado anterior: 85,4% dos entrevistados se declararam pretos ou pardos.
Ao juntar as descobertas:
As mulheres que mais usam o ônibus gratuito são, em sua maioria, mulheres pretas ou pardas.
Elas são o grupo com a menor renda.
Conclusão: A Tarifa Zero não é apenas um benefício, é uma ferramenta de justiça social. Ela garante o direito de ir e vir justamente para o grupo mais afetado pela desigualdade social e racial em Mariana. O ônibus gratuito alivia o orçamento e permite que estas mulheres, que dominam as faixas de menor renda, tenham maior acesso a oportunidades.
O Perfil dos Usuários: Educação e Idade
A pesquisa detalhou quem são os usuários da Tarifa Zero em Mariana, olhando para o nível de estudo e a faixa etária.
1. Nível de Escolaridade: As Mulheres Estão em Destaque
A análise do nível de estudo dos entrevistados mostra que as mulheres se destacam nos níveis intermediários de escolaridade, mas enfrentam barreiras nos mais altos:
Ensino Médio Completo: O maior número de usuários (42,4%) parou neste nível. Na comparação entre gêneros, o número de mulheres com Ensino Médio completo é o dobro do número de homens.
O que isso indica? As mulheres estão se formando no ensino básico em maior número.
Ensino Superior Incompleto: O número de mulheres que começou, mas não terminou a faculdade, é duas vezes maior do que o de homens.
O que pode significar? Isso sugere que, apesar de ingressarem no Ensino Superior, as mulheres podem enfrentar mais dificuldades para concluir a faculdade, muitas vezes por terem que conciliar os estudos com responsabilidades familiares e trabalho.
Pós-Graduação: A participação cai muito para todos, mas as mulheres que chegam ao Ensino Superior completo e Pós-graduação tendem a concluí-los em proporção maior.
2. Idade: O Tarifa Zero É para a Juventude
Usuários Jovens: A maioria dos entrevistados é jovem:
17,3% têm até 20 anos.
21,3% têm entre 21 e 30 anos.
Conclusão: Quase 40% dos usuários são jovens. Isso sugere que o ônibus gratuito é fundamental para garantir o acesso à educação (escola e faculdade) e aos primeiros empregos.
Resumo: A análise dos dados de renda, raça, gênero e escolaridade nos leva a uma única conclusão: A política de Tarifa Zero em Mariana funciona como um fator central de Inclusão Social, beneficiando de forma mais significativa e intensa os grupos em situação de maior vulnerabilidade, como as mulheres de baixa renda, em sua maioria pretas e pardas, e os jovens em idade escolar.
Mobilidade antes e após a implementação da Tarifa Zero
A implementação da Tarifa Zero em Mariana, a partir de fevereiro de 2022, mudou completamente a forma como as pessoas se movem. A pesquisa mostra que o custo da passagem era uma grande barreira que impedia a população de acessar a cidade.
1. O Salto da Demanda: Quase 5 Vezes Mais Viagens!
O aumento de usuários com o ônibus gratuito enorme, revelando a demanda que antes estava reprimida pelo preço das tarifas:
Antes da Tarifa Zero: O sistema registrava 144.201 deslocamentos por mês, usando 32 ônibus e 17 linhas.
Com a Tarifa Zero: O sistema passou a registrar cerca de 700.000 deslocamentos por mês!
Aumento: Um crescimento de 485% na demanda.
Adequação da Oferta: Para dar conta desse aumento, o serviço foi ampliado para 21 linhas (6 urbanas e 15 distritais) e a frota aumentou para 42 ônibus.
2. Como as Pessoas se Moviam Antes da Tarifa Zero?
Antes do ônibus gratuito, a população usava diversos meios, com grandes diferenças entre homens e mulheres:

A Diferença Entre Gêneros:
A pesquisa mostra que o transporte pago penalizava mais as mulheres:
Mulheres: Eram muito mais dependentes do Ônibus (pago) e do deslocamento a pé (cerca de 3 vezes mais que os homens). Isso acontecia porque geralmente as mulheres têm menor renda e menos posse de carro, forçando-as a usar modos de transporte mais lentos ou mais caros (a passagem).
Homens: Tinham maior acesso e usavam mais os modos individuais motorizados, como carro e moto, indicando maior poder aquisitivo e mais flexibilidade.
3. A Migração do Carro para o Ônibus
O estudo confirma que o ônibus gratuito é um alívio financeiro para quem tinha carro com sacrifício:
Quem Migrou: A maioria dos usuários que parou de usar o carro (ou reduziu drasticamente o uso) para ir de ônibus pertence às faixas de baixa e média-baixa renda (principalmente até 3 salários mínimos).
Motivação: Para essas famílias, manter um carro era um grande sacrifício no orçamento. A Tarifa Zero, ao aumentar linhas e frota, ofereceu uma alternativa gratuita e eficiente.
Resultado: A gratuidade eliminou a barreira financeira e tornou o ônibus a opção mais viável. O dinheiro que antes ia para a gasolina, manutenção ou IPVA do carro, agora é usado para outras necessidades da família.
A Tarifa Zero, portanto, funciona como uma forma de “renda indireta”, aliviando o fardo do transporte para as famílias mais vulneráveis.
Meio Ambiente: Tarifa Zero e a Sustentabilidade
A Tarifa Zero em Mariana não trouxe benefícios apenas para as pessoas e a economia; ela também gerou um impacto positivo para o nosso planeta, tornando a cidade mais sustentável.
O Transporte Gratuito Tira Carros das Ruas
O principal ganho ambiental vem da mudança no comportamento dos moradores:
Menos Carros: 10,6% dos entrevistados abandonaram o uso diário do carro.
Menos Motos: 5,2% dos entrevistados pararam de usar a moto.
A Migração: Todos esses ex-usuários de transporte individual (carro e moto) migraram para o ônibus coletivo gratuito.
Resultado Direto da pesquisa em Mariana:
Essa troca de veículos particulares por ônibus significa:
Menos Poluição: Menos carros nas ruas significam menos emissão de Gás Carbônico na atmosfera. Estudos mostram que a Tarifa Zero pode reduzir as emissões em mais de 4%.
Menos Congestionamento: O trânsito fica mais livre e rápido.
Ruas Mais Seguras: Menos veículos individuais circulam, diminuindo o risco de acidentes.
O Que Aconteceu em Outras Cidades?
Os resultados de Mariana estão alinhados com o que aconteceu em outros municípios que adotaram a Tarifa Zero, confirmando que a política é boa para o meio ambiente:
Paranaguá (PR): Após dois anos de Tarifa Zero, houve uma redução de 40% nos acidentes envolvendo carros, motos e bicicletas.
São Caetano do Sul (SP): A cidade notou uma redução significativa no congestionamento e estimou a eliminação de mais de 1.500 deslocamentos de carro por hora nas suas principais vias.
Conclusão: A Tarifa Zero é mais do que transporte; é uma ferramenta de Sustentabilidade Urbana. Ela promove uma mobilidade mais segura e ecologicamente correta, provando que o desenvolvimento social e a proteção ambiental caminham juntos.
Percepções dos entrevistados sobre a Tarifa Zero
O Que os Moradores de Mariana Pensam sobre a Tarifa Zero
A pesquisa perguntou diretamente aos usuários o que eles acham da Tarifa Zero.
1. Aprovação Total: “Excelente” e “Muito Bom”
A grande maioria dos marianenses aprovam a Tarifa Zero:
Aprovação: 64,68% dos entrevistados classificaram o programa como “Muito Bom” ou “Excelente”; 9,35% classificaram como bom; 20% expressaram avaliações positivas (“boa” ou “muito boa”) seguidas de alguma reclamação ou ressalva, sendo denominada nesta pesquisa como regular. Apenas uma parcela muito pequena (0,52%) demonstrou indiferença, e 5,45% consideraram o programa ruim, apresentando suas respectivas razões.
Os 3 Principais Ganhos, Segundo os Usuários:
A análise das respostas abertas mostra que os benefícios se concentram em três áreas:
Aspecto Econômico: A palavra mais citada é “Economia”. O benefício de não pagar a passagem (liberando dinheiro para salário, renda e consumo) é o mais valorizado. A Tarifa Zero é vista como uma “ajuda” fundamental para as famílias de baixa renda.
Acesso e Mobilidade: A gratuidade facilita a locomoção para o trabalho, o acesso a saúde, lazer e permite que as pessoas parem de andar a pé, garantindo o “direito de ir e vir”.
Benefício Social: O programa é essencial para famílias numerosas e mães solo. O dinheiro economizado nos distritos, por exemplo, é muitas vezes usado para comprar comida.
Além disso, a Tarifa Zero impulsiona o comércio local (o dinheiro economizado vira consumo) e beneficia os pequenos empresários, que não precisam mais arcar com o vale-transporte dos seus funcionários.
2. O Lado a Ser Melhorado: Reclamações e Sugestões
Embora aprovarem a Tarifa Zero, cerca de 20% dos usuários fizeram ressalvas. Eles são a favor do programa, mas apontam falhas. As reclamações se concentram em três pontos:

Nota sobre “Andar à Toa”: É importante lembrar que o lazer, o acesso à cultura e o direito de “passear” são direitos básicos. O transporte gratuito permite que as pessoas exerçam plenamente o “Direito à Cidade”, e usar o ônibus para lazer não é um uso indevido!
3. As Críticas do Grupo Minoritário (5,45%)
Uma parcela muito pequena dos entrevistados (apenas 5,45%) tem críticas negativas ou sugeriu mudanças radicais:
Pelo Fim do Programa: Argumentam que o sistema piorou com a lotação após a gratuidade.
Restrição de Uso: Sugeriram limitar o uso (por exemplo, apenas 2 viagens por dia, ou apenas para famílias de baixa renda) para controlar a superlotação.
(Atenção: Qualquer restrição de uso acabaria com o princípio da Universalidade da Tarifa Zero.)
Tarifa Simbólica: Sugeriram cobrar um valor mínimo (como R$ 2,00) para “controlar o abuso” e melhorar a logística.
(Atenção: Cobrar qualquer valor descaracteriza a Tarifa Zero e o acesso universal.)
Resposta da Gestão: O Que Estamos Fazendo para Melhorar a Tarifa Zero
A equipe de gestão da Tarifa Zero de Mariana reconhece e valoriza as reclamações e sugestões dos usuários. Entendemos que a operação de um sistema gratuito e universal, como o nosso, gera desafios contínuos.
Reconhecendo os Desafios
A principal dificuldade é um sinal de sucesso: a gratuidade aumentou muito a demanda! Isso gerou uma pressão sobre o sistema, principalmente:
Superlotação: Nos horários de pico (início da manhã, fim da tarde e horários escolares).
Pontualidade: O trânsito da cidade, somado ao aumento de passageiros, afeta os horários de chegada e saída dos ônibus.
Nossas Ações de Melhoria Contínua
A Prefeitura, por meio do Departamento de Trânsito e Transportes, está trabalhando ativamente para aprimorar o serviço:
Monitoramento em Tempo Real: Usamos GPS para acompanhar as rotas dos ônibus. Isso permite que ajustemos os horários e enviemos reforço de viagens imediatamente nas linhas mais cheias.
Revisão de Rotas: Estamos revisando toda a rede de linhas e itinerários para:
Reduzir o tempo de espera nos pontos.
Expandir a cobertura para bairros e distritos que precisam de mais atendimento.
Planejamento: Está em curso um estudo detalhado para revisar todo o planejamento operacional, usando dados reais de lotação. Nosso objetivo é garantir mais segurança, conforto e regularidade para todos.
Frota, Motoristas e Fiscalização
Gestão da Frota: O sistema de Mariana tem, atualmente, uma das frotas mais novas de sua história e o número de viagens foi ampliado desde o início do programa.
Manutenção: Se você notar ônibus mais antigos nos fins de semana, isso acontece porque estamos fazendo a manutenção preventiva na frota principal. Garantimos que todos os veículos estão em condições adequadas e dentro do limite de idade permitido por contrato.
Reclamações sobre Motoristas: Todas as reclamações de conduta registradas na Ouvidoria são enviadas à empresa operadora, que é obrigada a dar nova orientação ao motorista. Em caso de reincidência, há penalidades contratuais.
Fiscalização Contínua: A Prefeitura realiza uma fiscalização da empresa para garantir que o serviço cumpra todos os padrões e cláusulas contratuais.
Nosso Compromisso
Entendemos que a superlotação nos picos pode passar uma imagem de desorganização, mas o acompanhamento é permanente. Nosso compromisso é manter a Tarifa Zero como um pilar de inclusão social e, acima de tudo, garantir um transporte público gratuito e de alta qualidade para todos em Mariana.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise final dos resultados da pesquisa em Mariana confirma que a política de Tarifa Zero é um modelo de sucesso, pois gera benefícios amplos e sustentáveis para a cidade. O programa atingiu seus objetivos nas três áreas principais: social, econômica e ambiental.
1. Ganhos Sociais: Mais Justiça e Inclusão
A Tarifa Zero se firmou como uma ferramenta de inclusão social e equidade.
Prioridade aos Vulneráveis: Beneficiou principalmente a população mais vulnerável, como mulheres pretas e famílias de baixa renda.
Direito de Ir e Vir: Garantiu o pleno exercício do direito social ao transporte, facilitando o acesso a necessidades essenciais como trabalho, saúde, lazer e educação.
2. Ganhos Econômicos: Alívio no Bolso e Estímulo Local
O fim da tarifa trouxe um impacto econômico direto e positivo.
Alívio Familiar: Eliminou o custo da passagem, o que alivia diretamente o orçamento das famílias e funciona como uma renda indireta.
Economia e Comércio: Reduziu a dependência do vale-transporte e impulsionou a economia local, pois o dinheiro economizado agora é gasto no comércio da própria cidade.
3. Ganhos Ambientais: Mais Sustentabilidade
A política contribuiu para a mobilidade urbana sustentável.
Menos Carros: Incentivou a migração do transporte individual (carros e motos) para o transporte coletivo.
Melhora para a Cidade: Essa mudança ajuda a reduzir o congestionamento, a diminuir a emissão de gases poluentes e a aumentar a segurança nas ruas.
Em resumo, a Tarifa Zero é um modelo viável e que está transformando Mariana em uma cidade mais justa, economicamente dinâmica e ecologicamente mais responsável.
REFERÊNCIAS
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